O município de Feira Nova, no Agreste Setentrional do Estado, é conhecido nacionalmente como a “Terra da Farinha”, ao ponto de anualmente ser promovida a Festa da Cadeia Produtiva da Mandioca, realizada sempre no mês de Outubro. Na região, dezenas de casas de farinha de pequeno e médio porte continuam resistindo às oscilações do mercado e aos entraves na comercialização. Outro fator que dificulta a vida dos produtores é o problema da podridão radicular da mandioca, fungo que pode reduzir a zero a produção. Normalmente, cada hectare chega a produzir cerca de 15 toneladas de mandioca.
Para tentar resolver o ataque da podridão radicular, O Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA, com acompanhamento do pesquisador Almir Dias instalou 10 bancos de manivas (sementes) de mandioca naquele município com as variedades Moreninha e Branquinha (IPA) e Kiriris (Embrapa), que demonstram resistência ao fungo.
Uma das propriedades escolhidas para sediar o projeto foi o Sítio Queimada, do agricultor José Ferreira de Souza, 58 anos, cinco filhos. A área com aproximadamente 13 hectares, tem uma cultura diversificada, mas o forte é o plantio de mandioca para a produção de farinha. Seu Tutinha, como é conhecido na comunidade, conta que muitas vezes já pensou em desistir da cultura, em função das perdas ocasionadas pela podridão radicular.
Com apoio do IPA, Seu Tutinha plantou quatro hectares com as variedades indicadas. O resultado não poderia ser melhor. Em toda a área não houve nenhum caso de podridão radicular. “Eu acho que agora nós estamos no caminho certo”, disse. Segundo ele, atualmente, uma saca com 50Kg de farinha está sendo comercializada a R$ 50. “Sem esse problema da podridão na mandioca, nós vamos aumentar a produção e ganhar um pouquinho mais de dinheiro”.
O Pesquisador do IPA, Almir Dias, disse que, em relação à comercialização dos diversos subprodutos gerados pela mandioca, o importante é identificar toda a cadeia produtiva, criando condições para ampliar os espaços. “As pessoas falam que do boi só se perde o berro. No caso da mandioca não se perde nada”, frisou o pesquisador se referindo aos diversos subprodutos da mandioca além da farinha – ração animal, fécula, utilização da manipueira (resíduo do processamento) para a produção de álcool.
GOVERNADOR - Em visita à propriedade, em sua viagem no Agreste Setentrional, o governador Eduardo Campos recomendou ao presidente do IPA, Júlio Zoé de Brito, a implantação de unidade piloto para estudo da cadeia produtiva da mandioca.
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