sexta-feira, 8 de maio de 2009

De Carpina: Feto passa por cirurgia cardíaca no útero da mãe, essa é a primeira cirurgia desse tipo no N/NE

Gabriel ainda está na barriga da mãe e passou por delicada operação 12 dias atrás. Trata-se da primeira cirurgia no coração de um feto no Norte/Nordeste. A equipe responsável é do Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (Imip), que contou com apoio de dois especialistas de São Paulo. Os médicos corrigiram defeito na válvula aórtica do bebê quando se contavam menos de sete meses de gestação. Se não fosse salvo no útero, dificilmente ele ultrapassaria o primeiro dia após o parto.

Mãe da criança, a dona de casa Rosilene Silva Vasconcelos, 30 anos, descobriu que havia algo errado com o filho no pré-natal em Carpina, Mata Norte, aos quatro meses de gravidez. Ao examiná-la, o ginecologista José Inácio Evangelista recomendou que procurassem o Imip. Com o marido, o tabelião Alberto Carlos Vasconcelos, 44, ela rumou para o Recife e ouviu o diagnóstico: Gabriel tinha estenose grave da válvula aórtica.

A má-formação impede o bombeamento do sangue do coração para o resto do corpo. É congênita e aparece por volta do oitavo dia de gestação. A maioria dos bebês morre logo após nascer. No Brasil, seis fetos foram operados antes de Gabriel. Apenas um sobreviveu.

Ao saber que só a cirurgia poderia salvá-lo, Rosilene não teve dúvida. Aceitou tentar o procedimento inédito na região. “Fiquei com medo, mas os médicos explicaram tudo e me acalmei.” A jovem não queria perder mais um filho. É que, antes de engravidar de Gabriel, tivera aborto espontâneo.

Tanto que o casal deixou o município de Buenos Aires, Mata Norte, e passou duas semanas na capital para se preparar. Em 26 de abril, cinco médicos comandaram a cirurgia, que durou uma hora e meia. Primeiro, um anestesista aplicou injeção na mãe. Depois, o especialista em medicina fetal Alex Souza anestesiou o feto através da barriga de Rosilene. Em seguida, usou agulha finíssima e localizou o ponto exato onde entraria o catéter. Por ele, o hemodinamicista Raul Arrieta introduziu um balão, inflado ao chegar à válvula.

“A aórtica estava grudada. O coração quase não batia, estava fraco. Quando insuflei o balão, a válvula se abriu e o sangue começou a passar com mais força”, explicou Arrieta. Também participaram da cirurgia a cardiologista pediátrica Renata Cassar e a médica de hemodinâmica Juliana Neves. O trabalho foi supervisionado pelo fetólogo Fábio Peralta, da Universidade de Campinas, e o hemodinamicista Carlos Pedra, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, de São Paulo.

Ontem, mãe e bebê fizeram ultrassonografia e ecocardiograma, que indicaram que Gabriel está bem. O parto está previsto para julho. “Será cesariana, para não arriscar a saúde dele”, diz o pai. Rosilene está confiante. “Estou feliz, vai dar tudo certo.”

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